O valor daquilo que permanece

A 25 de setembro assinala-se o Dia Nacional da Sustentabilidade. Instituída em Portugal em 2023, a data coincide com a adoção da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelas Nações Unidas, em 2015.

Para a MJARC, esta é uma oportunidade para olhar para uma pergunta que antecede qualquer nova intervenção: o que merece permanecer?

Preservar a paisagem, a estrutura e a memória

Na Douro Wood House, a resposta começou no terreno. A casa foi elevada para evitar alterações significativas da topografia, e as aberturas na cobertura permitiram conservar as árvores existentes. A arquitetura encontrou o seu lugar entre aquilo que já lá estava.

douro wood house projeto de arquitetura da mjarc arquitetos vencedora de inumeros premios internacionais

No Riverside Condominium, em Santa Comba Dão, preservar significou dar uma nova vida a um edifício inacabado. A intervenção manteve mais de 90% da estrutura original, transformando o existente em habitação aberta à paisagem do rio Dão.

Edifício de apartamentos moderno de quatro andares com revestimento em madeira escura e grandes janelas. O telhado é cinzento e possui uma forma geométrica ondulada proeminente, saliente. O edifício apresenta varandas em toda a fachada. Em primeiro plano, há um jardim relvado bem cuidado com pequenos arbustos e árvores jovens, ladeado por uma rampa de betão. Arquitetura MJARC Arquitetos

No Cicioso Boutique Hotel, no centro histórico de Évora, a transformação partiu da memória do edifício. Os tetos abobadados e os pavimentos de madeira permaneceram, integrados numa nova experiência de hospitalidade.

Cicioso boutique hotel num ambiente noturno e exterior com piscina e luzes ambiente quentes

Preservar o existente, pensar no futuro

A preservação ganha outras formas quando um edifício encontra um novo uso. Na hotelaria, a estrutura e a memória existentes podem tornar-se parte da experiência de quem chega. É esta relação entre continuidade e transformação que exploramos no artigo sobre hospitalidade e reabilitação: o valor do reuso adaptativo.

Há também escolhas menos visíveis, mas sentidas ao longo de toda a vida do edifício: a orientação, a sombra, a ventilação e a resposta ao clima de cada lugar. No artigo sobre arquitetura bioclimática em Portugal, aprofundamos como estas decisões podem contribuir para o conforto em diferentes estações do ano.

São contextos diferentes, unidos pela mesma intenção: compreender o que existe antes de acrescentar algo novo. Uma arquitetura consciente também se reconhece naquilo que escolhe preservar.

Se está a imaginar um novo espaço ou a dar outra vida a um edifício existente, fale connosco. Na MJARC, desenvolvemos projetos atentos ao lugar, às pessoas e aos recursos disponíveis — capazes de responder às necessidades de hoje e de continuar a fazer sentido amanhã.

Fontes: Resolução do Conselho de Ministros n.º 56/2023 — Diário da República · Adoção da Agenda 2030 — Nações Unidas