Arquitetura Contemporânea: muito mais do que uma linguagem estética

Em resumo

A arquitetura contemporânea não corresponde a um estilo único. É a arquitetura do nosso tempo e distingue-se sobretudo pela capacidade de responder às necessidades atuais através da relação com o lugar, do conforto, da sustentabilidade, da transformação do existente, da tecnologia e da natureza.

  • Contexto: cada projeto responde ao lugar, à topografia, ao clima e à forma como será habitado.
  • Sustentabilidade: eficiência e redução de impacto começam nas primeiras decisões de projeto.
  • Transformação: reabilitar e prolongar a vida dos edifícios é cada vez mais relevante.
  • Natureza e tecnologia: ambas podem contribuir para espaços mais confortáveis, eficientes e humanos.

Mais do que procurar uma imagem para representar o presente, a arquitetura contemporânea procura criar espaços capazes de responder ao presente e permanecer relevantes no futuro.

Neste artigo

Quando falamos em arquitetura contemporânea, não estamos a falar de um estilo único. Uma casa contemporânea não precisa de ter uma fachada branca, grandes superfícies de vidro ou uma forma minimalista. O que a define é sobretudo a forma como responde às necessidades do presente: conforto, eficiência, relação com o lugar, flexibilidade e qualidade dos espaços.

A arquitetura contemporânea transforma-se à medida que mudam a sociedade, o clima, a tecnologia e os modos de habitar. Pode ser silenciosa ou expressiva, construída em betão, madeira, pedra ou através de sistemas híbridos; pode resultar de construção nova ou da transformação profunda de um edifício existente.

O que a torna contemporânea é, portanto, menos uma determinada aparência e mais a capacidade de responder criticamente às questões do nosso tempo.

Na MJARC Arquitetos, esta leitura traduz-se numa arquitetura que procura partir do contexto em vez de lhe impor uma forma: compreender o lugar, o programa, a matéria e quem irá habitar o espaço para encontrar uma resposta específica para cada projeto.

O que é arquitetura contemporânea?

Em termos simples, arquitetura contemporânea é a arquitetura produzida no período atual.

Ao contrário do Modernismo, do Brutalismo ou de outros movimentos historicamente identificáveis, a contemporaneidade não possui uma gramática formal única.

Na mesma época coexistem edifícios de grande complexidade geométrica e intervenções extremamente discretas; projetos de elevada expressão tecnológica e arquiteturas que recuperam materiais ou técnicas locais; construção nova e projetos que preferem transformar aquilo que já existe.

Essa diversidade é precisamente uma das suas características. A arquitetura atual incorpora conhecimento acumulado ao longo da história, mas responde também a questões que adquiriram nova importância: alterações climáticas, consumo de recursos, envelhecimento do parque edificado, flexibilidade de uso, conforto e relação entre edifício e natureza.

Uma forma simples de pensar a arquitetura contemporânea:
não perguntar primeiro “que aparência deve ter este edifício?”, mas sim “como deve este edifício responder ao lugar, às pessoas e ao tempo em que existe?”

Quais são as principais características da arquitetura contemporânea?

Embora não exista uma linguagem única, há princípios que surgem com frequência na arquitetura contemporânea.

1. Relação com o contexto

Uma das características mais relevantes é a importância atribuída ao lugar.

Orientação solar, topografia, vegetação, clima, vistas, preexistências, memória e tecido urbano deixam de ser elementos secundários para se tornarem matéria de projeto.

Um edifício contemporâneo pode ter uma identidade forte sem ignorar aquilo que o rodeia.

Na Saramagayo House, no Alto Douro Vinhateiro, por exemplo, a implantação acompanha a paisagem de socalcos. Pedra, madeira, pátios e cobertura verde ajudam a estabelecer continuidade entre a casa e o território.

Neste caso, a arquitetura contemporânea não resulta de procurar uma forma diferente. Resulta de encontrar uma resposta específica para aquele lugar.

2. Sustentabilidade como princípio de projeto

A sustentabilidade deixou progressivamente de poder ser entendida como um conjunto de equipamentos acrescentados no final da obra.

Na arquitetura contemporânea, as decisões ambientais começam muito antes: implantação, orientação solar, forma do edifício, proteção das fachadas, iluminação natural, ventilação, escolha de materiais, gestão da água e durabilidade das soluções.

É uma abordagem próxima dos princípios da arquitetura bioclimática, em que o edifício procura trabalhar primeiro com as condições naturais do lugar antes de recorrer aos sistemas ativos necessários para garantir conforto.

A própria relação com os recursos está também a mudar. Em determinadas situações, preservar uma estrutura existente ou prolongar a vida útil de um edifício pode ser tão importante como selecionar materiais de menor impacto.

3. Reabilitar em vez de substituir

Uma parte relevante da arquitetura contemporânea está hoje relacionada com a transformação daquilo que já existe.

Um edifício antigo ou uma estrutura inacabada não precisam de ser entendidos como obstáculos ao novo. Podem tornar-se a matéria a partir da qual se constrói uma nova realidade.

Essa lógica é evidente na Green View Tower, na Covilhã. O projeto da MJARC parte de uma torre abandonada durante mais de cinco décadas e opta pela sua transformação, preservando mais de 65% da estrutura original e 75% do núcleo existente.

Também o Riverside Condominium reutiliza uma estrutura inacabada existente há mais de vinte anos, mantendo mais de 90% da estrutura original.

A contemporaneidade pode, portanto, estar precisamente na capacidade de dar um novo futuro ao que já foi construído.

4. Flexibilidade e capacidade de transformação

Os edifícios têm normalmente vidas muito mais longas do que os programas para os quais foram inicialmente concebidos.

Habitações alteram-se, escritórios mudam de organização, espaços culturais recebem programas diferentes e estruturas podem adquirir novos usos.

Por isso, a capacidade de adaptação tornou-se um tema importante na arquitetura atual.

Uma arquitetura contemporânea não precisa de prever exatamente o futuro, mas pode evitar torná-lo impossível. Plantas flexíveis, sistemas construtivos adaptáveis e espaços capazes de receber diferentes configurações ajudam a prolongar a vida útil e a relevância de um edifício.

Museu de Arte Contemporânea de Serralves
O edifício projetado por Álvaro Siza é um bom exemplo desta capacidade de adaptação: a organização dos espaços expositivos foi pensada para responder à diversidade e imprevisibilidade próprias da arte contemporânea.

5. Tecnologia ao serviço da arquitetura — não como objetivo

Ferramentas digitais, modelação BIM, fabrico assistido por computador, análise ambiental e novos sistemas construtivos ampliaram profundamente aquilo que é possível projetar.

Mas ser contemporâneo não significa necessariamente tornar a tecnologia visível.

Num projeto bem integrado, a inovação pode existir precisamente naquilo que quase desaparece: uma estrutura otimizada, uma fachada que responde à incidência solar, instalações coordenadas desde o projeto ou sistemas de controlo ambiental integrados discretamente no edifício.

O Hangzhou International Sports Centre, projetado pela Zaha Hadid Architects, traduz esta relação entre forma, desempenho e tecnologia. O complexo reúne estádio, arena e centro aquático numa implantação compacta que permite libertar uma parte relevante do terreno para parques e espaço público.

6. Natureza como parte do espaço arquitetónico

Outra característica cada vez mais presente é a tentativa de ultrapassar uma divisão rígida entre interior e exterior.

Pátios, jardins, coberturas verdes, vistas enquadradas, continuidade de materiais e grandes aberturas podem contribuir para estabelecer uma relação mais próxima entre arquitetura e paisagem.

Mas integrar a natureza não significa simplesmente acrescentar vegetação ao edifício.

Pode significar preservar aquilo que já existe e permitir que essas condições influenciem o projeto.

Na Douro Wood House, a construção é elevada relativamente ao terreno e foram criadas aberturas que permitem preservar árvores existentes. A cobertura verde integra espécies locais e a estrutura em madeira participa numa estratégia mais ampla de redução da intervenção sobre o solo.

É uma forma de compreender aquilo que aprofundamos também em Como a Arquitetura Pode Proteger a Natureza: edifício e ecossistema não precisam de ser pensados como realidades independentes.

Quatro exemplos de arquitetura contemporânea

1. Zaha Hadid Architects — Hangzhou International Sports Centre, China

O projeto demonstra uma vertente particularmente expressiva da arquitetura contemporânea.

O complexo inclui um estádio de futebol para 60.000 espectadores, uma arena interior e um centro aquático. A implantação compacta permite libertar uma parte significativa do terreno para parques e espaços públicos ligados à frente ribeirinha, enquanto a arquitetura estabelece referências à paisagem das plantações de chá das colinas de Hangzhou.

Forma arquitetónica, dimensão pública, paisagem e desempenho ambiental surgem aqui como partes de um mesmo sistema.

2. MJARC Arquitetos — Nordial Medical Center, Mirandela

O Nordial Medical Center representa uma abordagem diferente à contemporaneidade.

Num equipamento de saúde, arquitetura não pode significar apenas expressão formal. Organização funcional, circulação, conforto, luz, privacidade e experiência de pacientes e profissionais tornam-se componentes essenciais.

É precisamente esta capacidade de conciliar exigência técnica e experiência humana que torna os equipamentos de saúde um território particularmente interessante para a arquitetura contemporânea.

3. Kengo Kuma & Associates — V&A Dundee, Escócia

Inaugurado em 2018, o V&A Dundee foi concebido para estabelecer uma nova relação entre a cidade e o rio Tay.

A forma do edifício inspira-se nas falésias escocesas. Dois volumes que se aproximam à medida que sobem criam um percurso através da construção e contribuem para restabelecer uma relação visual e física entre Dundee e a sua frente de água.

O projeto demonstra como uma arquitetura formalmente marcante pode continuar profundamente ligada ao território onde se insere.

4. Álvaro Siza — Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto

Concebido a partir de 1991 e inaugurado em 1999, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves continua a ser uma referência importante para compreender a arquitetura contemporânea em Portugal.

A sua relevância não nasce da procura de protagonismo sobre o lugar.

Pelo contrário, o edifício foi implantado de forma a minimizar o impacto sobre o parque existente. Pátios, percursos, janelas e salas criam relações sucessivas com o jardim, enquanto os espaços interiores mantêm a flexibilidade necessária para receber diferentes exposições.

É um exemplo particularmente interessante porque demonstra que contemporâneo não significa necessariamente espetacular.

Pode significar precisão, permanência e capacidade de estabelecer uma relação profunda com aquilo que já existe.

O que define a arquitetura contemporânea hoje?

Talvez uma das principais transformações da arquitetura contemporânea seja precisamente estar cada vez menos dependente de uma imagem reconhecível.

Um projeto atual pode assumir uma forma radicalmente nova ou quase desaparecer na paisagem. Pode recorrer a tecnologia avançada ou reinterpretar técnicas tradicionais. Pode construir de raiz ou reutilizar uma estrutura com várias décadas.

O que une muitas das abordagens mais relevantes não é uma estética comum, mas as perguntas que colocam.

  • Como devemos ocupar o território?
  • O que vale a pena preservar?
  • Como podemos construir com menor impacto?
  • Como pode um espaço adaptar-se a diferentes formas de habitar?
  • Como conciliamos conforto, matéria, tecnologia e natureza?

Estas questões fazem da arquitetura contemporânea um campo necessariamente plural.

Para a MJARC, essa pluralidade não significa ausência de princípios. Significa que cada projeto deve encontrar a sua própria resposta a partir do lugar onde existe.

É talvez essa a condição verdadeiramente contemporânea da arquitetura: não procurar uma imagem universal para representar o presente, mas criar espaços capazes de responder às necessidades atuais e permanecer relevantes no futuro.

Pode conhecer outros projetos de arquitetura da MJARC onde estas relações entre contexto, matéria, transformação e experiência assumem diferentes formas.

Perguntas frequentes

O que caracteriza a arquitetura contemporânea?

A arquitetura contemporânea não possui um estilo único. Caracteriza-se sobretudo pela diversidade e pela capacidade de responder às questões atuais através da relação com o contexto, sustentabilidade, flexibilidade, novas tecnologias, materiais e atenção à experiência de quem utiliza os espaços.

Arquitetura contemporânea e arquitetura moderna são a mesma coisa?

Não. A arquitetura moderna está associada sobretudo ao Movimento Moderno desenvolvido durante o século XX e às suas diferentes correntes. Arquitetura contemporânea refere-se, de forma mais ampla, à arquitetura do nosso tempo e pode incorporar, reinterpretar ou contrariar alguns desses princípios.

A arquitetura contemporânea tem de ser minimalista?

Não. O minimalismo é apenas uma das linguagens possíveis. Existem edifícios contemporâneos extremamente sóbrios e outros de grande complexidade formal. O caráter contemporâneo depende sobretudo da forma como o projeto responde ao seu tempo, ao contexto e às necessidades dos utilizadores.

Conheça a arquitetura da MJARC

Explore projetos onde contexto, paisagem, matéria e experiência são trabalhados de formas distintas, sempre a partir das condições específicas de cada lugar.

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Fontes


V&A Dundee — Our Building

— informação oficial sobre o projeto de Kengo Kuma & Associates e a relação do museu com o rio Tay.


V&A Dundee — Architectural Story of V&A Dundee

— contexto sobre a inspiração nas falésias escocesas e o desenvolvimento do edifício.


Fundação de Serralves — Projeto Arquitetónico do Museu

— informação sobre implantação, organização, flexibilidade espacial e relação do museu com o parque.


Hangzhou International Sports Centre — Zaha Hadid Architects / ArchDaily

— informação sobre programa, implantação, espaço público e conceito do complexo.