Biophilia Summit 2026: da inspiração à prática regenerativa

A relação entre arquitetura e natureza está a evoluir. Mais do que introduzir vegetação nos edifícios, o desafio contemporâneo passa por compreender como os espaços podem favorecer o bem-estar humano, apoiar a biodiversidade e contribuir para a regeneração dos ecossistemas.

É neste contexto que se realiza, no dia 24 de setembro, o Biophilia Summit 2026, uma conferência internacional organizada pela Living Future Europe e pela Biophilic Society. O evento decorre online, em inglês, reunindo arquitetos, designers, investigadores, promotores, fabricantes, artistas e decisores políticos de diferentes geografias.

Na sua quarta edição, o encontro propõe uma questão particularmente relevante: como transformar a biofilia numa prática concreta, mensurável e integrada na forma como projetamos?

Sentir, pertencer e regenerar

Sob o tema “Biophilia in Practice: Sensing, Belonging, Regenerating”, o programa organiza-se em torno de três dimensões complementares.

Sensing explora a forma como experienciamos a natureza através dos sentidos e como essa relação influencia o corpo, a mente e as emoções. Temas como neurociência, psicologia ambiental, paisagens sonoras e desenho multissensorial ampliam a discussão para além da componente estritamente visual.

Belonging centra-se na criação de lugares onde pessoas, comunidades e outras formas de vida possam desenvolver relações de pertença. Esta perspetiva aproxima a biofilia da identidade cultural, da memória dos lugares e da capacidade da arquitetura para fortalecer vínculos sociais.

Por sua vez, Regenerating propõe uma evolução do objetivo de reduzir impactos para uma arquitetura capaz de restaurar relações ecológicas. Biodiversidade, circularidade, resiliência climática e desenho orientado para sistemas vivos surgem como partes de um mesmo pensamento.

Quando a biofilia deixa de ser um elemento decorativo

Uma das ideias mais relevantes desta edição é a passagem da biofilia enquanto conjunto de princípios estéticos para um modelo mais amplo de intervenção.

Projetar com a natureza não significa apenas criar jardins interiores, coberturas verdes ou vistas para a paisagem. Significa trabalhar com a luz, a ventilação, a água, os materiais, a topografia e os ciclos naturais desde as primeiras decisões do projeto.

Significa também reconhecer que cada território possui uma identidade ambiental própria, à qual a arquitetura deve responder.

Esta leitura aproxima-se da arquitetura bioclimática, na qual a orientação, a exposição solar, a inércia térmica e a ventilação natural contribuem simultaneamente para o conforto e para a redução da dependência de sistemas mecânicos.

Projetos como a Douro Wood House demonstram igualmente como a implantação, a materialidade e a relação com a paisagem podem construir uma experiência de proximidade com o território sem transformar a natureza num simples cenário.

douro wood house, projeto de arquitetura suspenso no terreno
douro wood house, projeto com cobertura ajardinada, mjarc arquitetos
douro wood house, projeto de arquitetura mjarc arquitetos vencedor de premios internacionais

Desenhar com a natureza não é acrescentá-la no final do processo. É reconhecê-la, desde o início, como parte ativa do projeto.

Um debate necessariamente interdisciplinar

O programa do Biophilia Summit 2026 cruza investigação científica, projetos construídos, habitação, hotelaria, saúde, inteligência artificial, materiais e iniciativas comunitárias. Esta diversidade revela que a biofilia não deve ser tratada como uma especialidade isolada.

Para produzir resultados consistentes, exige colaboração entre arquitetura, paisagismo, engenharia, ecologia, psicologia ambiental e planeamento urbano.

Exige também avaliar não apenas a presença de elementos naturais, mas a qualidade das relações que o projeto estabelece: entre interior e exterior, pessoas e paisagem, edifício e clima, matéria e tempo.

O encontro representa, assim, uma oportunidade para acompanhar a evolução de uma área cada vez mais relevante para a arquitetura contemporânea. Sobretudo, reforça a necessidade de pensar os edifícios como parte de sistemas vivos mais amplos, capazes de criar relações duradouras entre pessoas, território e natureza.

Arquitetura em diálogo com a natureza

Conheça projetos da MJARC onde a implantação, a matéria, o clima e a paisagem são entendidos como elementos essenciais da experiência arquitetónica.

Conhecer os projetos

Arquitetura e natureza

Fontes
Biophilia Summit 2026 — Living Future Europe