Arquitetura Moderna

A valorização da memória arquitetônica mais recente aparece frequentemente esquecida e em particular as obras usualmente conotadas com o chamado “Movimento moderno”, e que correspondem a um abundante período produtivo que, ao longo de quase todo o século XX, foi gradualmente marcando as formas do território, ultrapassando indiferentemente os contextos mais específicos. A Arquitetura do “Movimento Moderno”, porém, ficará para sempre associada à produção que emerge no dealbar do século XX e que procura saídas por entre a estilização de brechas abertas pelas engenharias, pelos novos materiais, pelos novos programas ditados pela Revolução Industrial.

Um pouco por todo o mundo, esses sinais de explícita afirmação mostravam um tão obsessivo empenho que se esqueciam das marcas duradouras que eles próprios construíam, esquecendo-se do seu próprio significado histórico. A história da arquitetura moderna portuguesa também foi sobressaltada, com expressão mais evidente depois da grande guerra. Cheia de naturais vazios e contradições pode dizer-se que nas décadas do pós-guerra ela se afirmava como dogma no processo criativo da transformação do espaço e do desenho da forma urbana. A arquitetura moderna fundamenta-se e deve fundamentar, categoricamente nas sólidas conquistas da ciência, da tecnologia e da engenharia.

Passados os anos de exaltação do Estado Novo, a prioridade ao fomento das infraestruturas industriais vai-se sobrepondo, com avanços e recuos, cujo cenário permitiu a construção de tantos equipamentos, tendo oferecido trabalho a muitos arquitetos, e inevitavelmente criou expectativas em torno das linguagens da arquitetura por eles produzida.

Esses foram os anos de entusiasmo desenvolvimentista assentes na crença ingénua de que no nosso século há mais descoberta, velocidade de transformação e progresso da sabedoria.

Por vários motivos, a Arquitetura Portuguesa do século XX encontra-se muito desprotegida sendo grave quanto grande parte deste património é hoje mais sujeito às pressões da especulação imobiliária e corre o sério risco de desaparecimento ou brutal descaracterização.

Exemplos:

1945
Palácio Atlântico
Praça D. João I, Porto
ARS Arquitetos

1949-1951
Habitação José Braga
Porto
Celestino de Castro

1952-1957
FIL
Lisboa
Francisco Keil do Amara